Como a Capoeira foi criada

A capoeira é uma Expressão Cultural Brasileira que mistura luta, dança, cultura popular e música. Desenvolvida no Brasil por escravos Africanos e seus descendentes, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando os pés, as mãos, a cabeça, os joelhos, cotovelos, elementos ginástico-acrobáticos e golpes desferidos com bastões e facões. Uma característica que a distingue da maioria das outras artes marciais é o fato de ser acompanhada por música.

A palavra capoeira tem alguns significados, um dos quais refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil. Foi sugerido que a Capoeira obtivesse o nome a partir dos locais que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata. Também, a palavra Tupi-Guarani "Capuera" significava "Mata destruída pela mão de Homem e renascida, não virgem".

No período da colonização inicia-se o tráfico de escravos para a América. Os Negros eram aprisionados na África, trazidos e vendidos para o trabalho forçado em regime de completa escravidão. Para tornar o Negro escravo, os escravistas suprimiam sua cultura, sua alma e os torturavam. O interesse era apenas pelo corpo, força de trabalho. Esta situação desumana a que foi submetido o Negro, não foi suficiente para suprimir sua condição de ser inteiro, de corpo e alma.

A Capoeira nasce neste período, os Negros a criaram para utilizá-la como luta no momento preciso em sua defesa e para os instantes de diversão, para relaxar do trabalho forçado. As perseguições iniciam-se, os Senhores proibiam sua prática por vários motivos:
 

  • Dava ao Negro um sentido de nacionalidade;
  • Individualidade e auto-confiança;
  • Formava grupos coesos;
  • Formava jogadores ágeis e perigosos;
  • E, as vezes, no jogo, os escravos se machucavam, o que era economicamente indesejável.

Desde o seu início a Capoeira foi perseguida, o Capoeirista era considerado um marginal, um delinquente em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo. Foram séculos de perseguição.

Na década de 1930, se inicia um novo ciclo na história da Capoeira. Nesta época a situação do país não era nada boa, estávamos em pleno regime de forças e dentre as leis penais, existia uma que considerava os Capoeiristas como delinquentes perigosos. Manuel dos Reis Machado, Mestre Bimba, nesta época foi convidado pelo interventor federal na Bahia, Juracy Montenegro Magalhães, a ir ao Palácio do Governo. Mestre Bimba ficou assustado, achou que seria preso. Para sua surpresa, o Governador queria que se apresentasse junto aos seus alunos para mostrar "herança Cultural" para amigos e autoridades no Palácio do Governo.

Em 09 de julho de 1937, Mestre Bimba consegue o registro de sua Academia, reconhecida pela Secretaria da Educação, Saúde e Assistência Pública. Primeira academia reconhecida no país.

Inicia-se então a ascensão sócio-cultural, a Capoeira volta ao cenário Cultural, está presente na Música, nas Artes Plásticas, na Literatura e nos palcos. Termina a fase negra em sua história, onde a Capoeira e todas as formas de manifestações Culturais ficaram totalmente marginalizadas pela Sociedade. 

A Capoeira sobrevive, o Negro preservou sua luta e ao transformá-la tornaram-a Brasileira. De nada adiantou as perseguições, devemos aos Negros a capacidade de resistência e luta.

Atualmente a Capoeira vêm adquirindo maior número de adeptos, todas as raças e camadas sociais, Nacional e Internacional. E assim que a Capoeira ganha projeção mundial, por ser uma Arte em ritmos e movimentos que exprimem toda a criatividade de um povo que foi oprimido.

Com todo esse desenvolvimento, a Sociedade ainda desconhece os verdadeiros valores e as contribuições que podem advir do conhecimento e prática da Capoeira, mas felizmente este Esporte, que nos traz saúde física e mental vêm conquistando seu espaço.

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